Protetor de colchão será o próximo salto de valor no Brasil?

postado em 05 de Fevereiro de 2026 09h00

Enquanto na Europa e nos Estados Unidos o uso de protetores de colchão já é parte integrante do sistema de sono, no Brasil essa categoria ainda é subexplorada – o que revela uma oportunidade concreta de crescimento para fabricantes, fornecedores e varejistas do setor colchoeiro.

 

Estudos recentes sobre hábitos de sono no Reino Unido indicam uma contradição clara no comportamento do consumidor: problemas recorrentes com manchas, odores, ácaros e desgaste do colchão são comuns, mas a proteção ainda é vista como acessório opcional. Essa lacuna entre experiência real e percepção de valor ajuda a explicar por que a categoria segue subdimensionada em mercados onde a educação do consumidor ainda é incipiente. 

 

Higiene do sono ainda é um conceito pouco explorado

 

O colchão é um dos itens mais utilizados da casa, mas também um dos menos higienizados. Suor, líquidos, células da pele e alérgenos se acumulam ao longo do tempo, comprometendo a qualidade do sono e a saúde do usuário.

 

Protetores de colchão impermeáveis e respiráveis criam uma barreira eficaz contra esses agentes, contribuindo para um ambiente de descanso mais limpo e saudável. Em mercados maduros, essa função já é compreendida como parte essencial do cuidado com o sono – não como um diferencial premium.

 

Durabilidade do colchão entra na equação

 

Outro ponto-chave é a preservação do investimento. Um colchão manchado ou contaminado perde desempenho, conforto e valor muito antes do fim de sua vida útil teórica. A proteção adequada ajuda a manter a integridade estrutural e estética do produto, prolongando seu uso e reduzindo trocas precoces.

 

Para o consumidor brasileiro, sensível ao preço e cada vez mais atento ao custo-benefício, esse argumento tende a ganhar relevância à medida que o ticket médio dos colchões cresce.

 

A falsa sensação de proteção

 

A pesquisa também revela um dado estratégico: mesmo entre consumidores que acreditam proteger seus colchões, a maioria utiliza capas que não oferecem impermeabilidade real. Isso indica um problema de comunicação, rotulagem e treinamento no ponto de venda.

 

Há uma diferença significativa entre uma capa básica e um protetor de alto desempenho – diferença que raramente é explicada de forma clara ao consumidor final. Quando essa distinção é compreendida, a propensão à compra aumenta.

 

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Oportunidade direta para o varejo

 

Em um cenário de menor fluxo de loja e maior pressão por rentabilidade, os protetores de colchão representam uma das formas mais eficientes de venda incremental com valor percebido. Além de elevar o ticket médio, reforçam a satisfação do cliente ao resolver problemas reais do uso cotidiano.

 

Nos mercados onde a categoria é bem trabalhada, a proteção do colchão é apresentada como parte de um sistema de sono completo, junto a travesseiros e roupas de cama – e não como um item avulso.

 

Um mercado pronto para evoluir

 

O Brasil reúne todos os ingredientes para a expansão dessa categoria: crescimento da consciência sobre saúde e bem-estar, maior valorização do sono, colchões com preços mais elevados e um varejo em busca de diferenciação.

 

O desafio está menos no produto e mais na narrativa. Transformar o protetor de colchão de “opcional” em “essencial” exige educação, linguagem simples e abordagem consultiva. Quem liderar esse movimento tende a capturar valor antes que a categoria se commoditize.

 

Para o setor colchoeiro, o recado é claro: proteger o colchão é proteger o sono – e isso vende.