Inovação e varejo físico ganham peso na estratégia dos colchões
postado em 09 de Fevereiro de 2026 12h03
As marcas de colchões chegaram à recente feira de Las Vegas (EUA) conscientes dos desafios que a categoria ainda enfrenta - vendas pressionadas, consumidor mais cauteloso e um ciclo prolongado de ajuste. Ainda assim, o clima predominante foi de mobilização. O foco está em ampliar o portfólio de produtos e aprimorar estratégias capazes de impulsionar o desempenho já ao longo de 2026.
A inovação segue no centro das decisões. Executivos apontam que apresentar novas tecnologias, materiais e argumentos de venda é essencial para devolver protagonismo ao consultor no ponto de venda e estimular a conversão. O movimento nos showrooms reforçou esse sentimento, alimentando a expectativa de que 2026 marque a saída de uma crise que já se estende por cerca de cinco anos.
Paralelamente, a consolidação permanece como uma força estrutural do setor, revelando tanto ambições estratégicas quanto a ansiedade por escala e diferenciação. O interesse da Somnigroup International na aquisição da Leggett & Platt é visto como um movimento capaz de alterar significativamente a dinâmica competitiva da indústria. Outras operações recentes incluem a aquisição dos ativos da Corsicana International pela South Bay International e a joint venture anunciada entre Sinomax USA e Malouf.

Inovação como resposta estratégica
Apesar das conversas informais refletirem preocupação com o avanço da consolidação, a maioria dos executivos afirmou estar concentrada no que está sob seu controle: produto, parceria com o varejo e execução.
Para Paramount Sleep Co., a resposta passa por fortalecer relações comerciais. A empresa destacou que, diante de um setor em transformação acelerada, ser um parceiro consistente para o varejo tornou-se uma vantagem competitiva.

O showroom da King Koil foi um dos mais movimentados, com lançamentos que incluem a nova parceria com a Scott Living, a coleção Flowt - com grade espiral de gel - e uma colaboração com a Prana Sleep baseada em látex Talalay. Segundo o CEO David Binke, a empresa aposta em crescimento orgânico apoiado em um portfólio robusto e claramente posicionado.
A Kingsdown apresentou a coleção Natural Fusion, alinhada à demanda crescente por materiais naturais, combinando algodão, lã Joma e a tecnologia proprietária Wave Coil. Já a Carpenter Co. reforçou sua expertise em espuma com o Zipr, um colchão totalmente em espuma, sem cola, projetado com estrutura multicamadas e foco em circularidade.
Na mesma linha, a Spring Air International, que celebra 100 anos de atuação, lançou uma nova coleção de colchões de espuma viscoelástica para competir de forma mais direta nesse segmento. A linha Sleep Sense foi apresentada como uma alternativa de alto valor agregado para o varejo, com margens atrativas e maior controle de exposição no ponto de venda.

A Kuka Sleep, tradicionalmente atuante como OEM, também aproveitou a feira para marcar sua entrada no mercado com marca própria, a PostureRest, reunindo modelos de espuma, híbridos e molas tradicionais.
Marcas digitais reforçam presença no varejo físico
Outro movimento relevante observado em Las Vegas foi o reposicionamento das marcas nativas digitais. Empresas como Brooklyn Bedding, Casper, Molecule e Purple vêm ampliando, de forma estratégica, sua atuação no varejo físico.
Com o crescimento online se mostrando mais difícil de sustentar isoladamente, essas marcas passaram a priorizar parcerias seletivas com lojistas capazes de sustentar a narrativa da marca, investir em educação no ponto de venda e reforçar o posicionamento premium. Simplificação de sortimento, políticas de preço por canal e treinamento de equipes de vendas surgem como pilares dessa nova fase.
A FXI, controladora da Molecule, destacou investimentos em showroom e uma estratégia integrada entre canais, com o site atuando como gerador de tráfego para as lojas físicas e uma estrutura industrial preparada para atender varejistas de diferentes portes.
Para o varejo, a aproximação dessas marcas representa oportunidades e desafios. O reconhecimento de marca e o aumento do fluxo nas lojas são pontos positivos, mas persistem preocupações relacionadas à proteção de margens, integração ao sortimento existente e prevenção de conflitos entre canais.
Um setor em reorganização
Apesar das dificuldades ainda presentes, o sentimento geral observado durante o evento esteve longe do pessimismo. As conversas apontaram para um setor em processo de reorganização, ajustando modelos de negócio, propostas de valor e estratégias de canal, com o objetivo de construir um ambiente de vendas mais previsível e sustentável nos próximos anos.
Redação de IA com informações www.furnituretoday.com



