Selo Pró-Espuma se consolida como diferencial técnico em colchões

postado em 09 de Março de 2026 12h17

Em meio a um cenário de retração do mercado, aumento da concorrência desleal e avanço de produtos sem controle técnico, a indústria brasileira de colchões enfrenta um desafio central: como preservar qualidade, reputação e competitividade em um ambiente cada vez mais pressionado por preços e informalidade. É nesse contexto que o Selo Pró-Espuma passa a ganhar protagonismo como ferramenta estratégica para o setor.

 

Levantamento recente da Associação Brasileira da Indústria de Colchões (ABICOL) confirma esse quadro de dificuldade: 34% dos fabricantes projetam 2026 como um ano pior do que 2025, em um cenário marcado por estagnação e leve queda da atividade. Entre os principais entraves apontados estão a concorrência desleal, a circulação de produtos não certificados, preços incompatíveis com os custos reais de produção, aumento de custos operacionais e a falta de mão de obra qualificada.

 

Na prática, esse ambiente penaliza justamente quem investe em qualidade, tecnologia e conformidade. Produtos sem controle técnico pressionam preços, reduzem margens e comprometem a confiança do consumidor em todo o setor.

 

Diferentemente de iniciativas orientadas apenas ao volume, os dados históricos do Pró-Espuma indicam um comportamento que não acompanha automaticamente as oscilações do mercado. Em períodos de retração, o programa mantém critérios técnicos rigorosos, o que resulta em uma adesão mais seletiva, concentrada em fabricantes que adotam a qualidade como estratégia de longo prazo e não como resposta conjuntural à demanda.

 

Nesse contexto, análises de cenário indicam uma perspectiva de recuperação moderada para 2026. Projeta-se um crescimento entre 8% e 12% em relação a 2025, com um volume anual estimado entre 770 mil e 800 mil certificados emitidos. A projeção reflete uma retomada gradual do mercado, sem retorno imediato aos picos históricos, mas com sinais consistentes de estabilização e recomposição da atividade.

 

Diante desse cenário, o Instituto Nacional de Estudos do Repouso (INER) reforça a importância de mecanismos que elevem o padrão técnico da indústria e promovam uma concorrência mais equilibrada. O Selo Pró-Espuma se consolida, assim, como um diferencial estratégico ao estabelecer critérios rigorosos de qualidade, segurança e desempenho para as espumas utilizadas na fabricação de colchões, com base em ensaios laboratoriais e requisitos técnicos superiores. 

 

“O relatório da ABICOL evidencia um problema estrutural do setor: a presença de produtos inconsistentes no mercado, que pressionam preços e comprometem a confiança do consumidor. O Pró-Espuma atua justamente nesse ponto, criando uma referência técnica clara, baseada em ensaios laboratoriais e requisitos objetivos”, afirma a diretora executiva do INER, Cleriane Lopes Denipoti.

 

A adoção desse referencial técnico permite que os fabricantes operem em um patamar mais previsível e seguro, com redução de riscos comerciais, fortalecimento da reputação da marca e maior confiança na relação com lojistas e consumidores finais. Em um ambiente de demanda ainda pressionada, a certificação deixa de ser apenas um atributo técnico e passa a funcionar como um instrumento concreto de valorização do produto, permitindo que a competição se dê por qualidade, desempenho e conformidade, e não apenas por preço.

 

Embora o Brasil conte hoje com mais de 400 marcas de colchões em operação, apenas cinco fabricantes possuem produtos certificados pelo Pró-Espuma. O dado evidencia o caráter técnico e estratégico da certificação, que, apesar de ser voluntária, não se propõe a ser massificada, mas a funcionar como um selo de excelência, acessível apenas a empresas que atendem a requisitos superiores de desempenho, segurança e conformidade.

 

leia: INER destaca que qualidade deve guiar a compra de colchões

 

“O Pró-Espuma não foi concebido para acompanhar o volume do mercado, mas para sustentar um padrão técnico elevado, inclusive em momentos de retração. Isso explica por que poucas marcas aderem ao programa, mas também por que ele se mantém como referência de qualidade e credibilidade no setor”, destaca Cleriane.

 

Além de diferenciar fabricantes, o Pró-Espuma contribui para o fortalecimento de toda a cadeia produtiva ao dialogar diretamente com as recomendações do próprio setor, que aponta a necessidade de maior fiscalização contra práticas desleais, maior integração entre os elos da indústria e políticas que garantam sustentabilidade econômica e técnica.

 

“Em períodos de crise, iniciativas que elevam o nível de exigência do mercado deixam de ser um custo e passam a ser uma estratégia de sobrevivência. O Pró-Espuma oferece ao setor uma ferramenta concreta para enfrentar o cenário desafiador descrito pela ABICOL, com foco em credibilidade, segurança e competitividade”, conclui a diretora executiva do INER.

 

Não é só o colchão: certificação também se aplica aos travesseiros

 

O cuidado com critérios técnicos e ensaios de desempenho não se limita aos colchões. Outros produtos diretamente relacionados à qualidade do sono, como os travesseiros, também passam por processos de avaliação e certificação, garantindo parâmetros objetivos de segurança, conforto e durabilidade ao consumidor.

 

“Muitos consumidores ainda associam a certificação apenas ao colchão, mas é importante destacar que os travesseiros também passam por ensaios técnicos e recebem certificação de qualidade. Esse processo assegura que o produto atenda a critérios de desempenho, segurança e durabilidade, impactando diretamente a qualidade do sono”, finaliza Cleriane Lopes Denipoti.