Materiais e economia circular redefinem o setor colchoeiro

postado em 15 de Janeiro de 2026 15h27

Com novas exigências ambientais, avanço da economia circular e metas de logística reversa, a indústria de colchões passa a revisar materiais, processos e design de produto. O EPS, já presente em mais de 80% das fábricas, se consolida como uma solução alinhada ao novo mercado

 

Durante décadas, a indústria colchoeira evoluiu focada em conforto, produtividade e escala. Esses pilares seguem sendo fundamentais. Mas, a partir de 2026, eles deixam de sustentar sozinhos a competitividade do setor.

 

Com o avanço das regulamentações ambientais, das exigências por logística reversa e da pressão por práticas ESG estruturadas, o mercado passa a operar sob uma nova lógica: a de responsabilidade ampliada sobre os materiais utilizados ao longo de todo o ciclo de vida do produto.

 

Não se trata mais apenas de fabricar colchões. Trata-se de gerir materiais.

 

Esse novo cenário, já consolidado em mercados mais maduros, chega ao Brasil impondo mudanças profundas na forma como a indústria projeta, produz e posiciona seus produtos.

 

Quando o material deixa de ser detalhe e vira estratégia

 

A exigência por rastreabilidade, metas de reaproveitamento e comprovação de destinação correta faz com que cada componente do colchão passe a ter peso estratégico.

 

Materiais que antes eram avaliados apenas por custo ou desempenho mecânico agora passam a ser analisados também sob critérios como reciclabilidade, facilidade de separação, estabilidade ao longo do tempo, contaminação, logística e integração com cadeias existentes de reciclagem.

 

Na prática, isso muda o centro da discussão industrial. O material deixa de ser detalhe de engenharia e passa a ser ativo ou passivo ambiental, operacional e regulatório.

 

O design do colchão começa a ser redesenhado

 

Esse movimento já começa a refletir dentro das fábricas. Fabricantes passam a revisar estruturas internas, núcleos, sistemas construtivos e combinações de componentes.

 

O objetivo é claro: desenvolver colchões mais preparados para um ciclo produtivo que não termina na venda.

 

Nesse redesenho, ganham espaço materiais mais leves, dimensionalmente estáveis, inertes, de fácil separação e com alto potencial de reaproveitamento. “Soluções que permitem padronização, redução de perdas no processo industrial e integração mais simples com programas de logística reversa passam a ser vistas como aliadas estratégicas”, comenta Rodrigo Rezende, diretor executivo do Grupo Isorecort

 

É nesse contexto que o EPS (conhecido popularmente como “isopor” ou poliestireno expandido) se consolida como um dos materiais que melhor dialogam com as novas demandas do setor.

 

Hoje, mais de 80% da indústria colchoeira já utiliza EPS em seus processos produtivos, seja em núcleos, bases técnicas ou componentes estruturais. Um número que indica que o material já integra o padrão industrial do setor.

 

Com as transformações em curso, esse movimento não apenas se mantém. Ele se fortalece. Na prática, o EPS se destaca no setor de colchões por ser um material leve, 100% reciclável, estável e já integrado a cadeias estruturadas de reaproveitamento, o que facilita processos de logística reversa, separação de componentes e estratégias de economia circular.

 

Além disso, sua versatilidade técnica permite o desenvolvimento de núcleos e componentes que favorecem o design modular, a padronização industrial e a desmontagem futura dos colchões, pontos cada vez mais relevantes quando se discute sustentabilidade aplicada à indústria.

 

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Da conformidade à vantagem competitiva

 

Mais do que atender a uma exigência legal, a reorganização dos materiais abre espaço para diferenciação.

 

Empresas que passam a tratar seus componentes como parte da estratégia ESG conseguem reduzir riscos regulatórios, melhorar indicadores ambientais, otimizar logística, diminuir perdas produtivas e construir narrativas mais consistentes junto ao mercado e ao consumidor.

 

Nesse novo ciclo, materiais que unem desempenho técnico, eficiência industrial e compatibilidade ambiental deixam de ser apenas alternativas. Passam a ser estruturantes.

 

Um setor em transição

 

A indústria colchoeira vive hoje um ponto de inflexão. Assim como precisou se reinventar em processos, automação e tecnologias de conforto, agora entra em uma fase em que sustentabilidade, rastreabilidade e circularidade passam a integrar o núcleo do negócio.

 

O colchão do futuro começa a ser definido agora. E ele será resultado direto das escolhas de materiais feitas hoje.